“O PT da Paraíba é um balcão de negócios com seu ‘murismo às avessas’”, detona Basílio Carneiro, diretoriano do PT/PB

Filiado ao Partido dos Trabalhadores desde o longínquo ano de 1995,Basílio Carneiro compõe o atual Diretório Regional da legenda,e pela primeira desde a filiação,opta por manter-se equidistante do processo de renovação da direção partidária,levada a cabo pelo Processo de Eleições Diretas (PED) do PT,que já renovou diretótios municipais e estaduais em todo o Brasil, e se encerrará em novembro,com a composição da nova direção nacional.

Além de influente quadro partidário, Carneiro milita na imprensa política desde o ano 2000 e tem se destacado como respeitável voz entre os expoentes da análise política no estado.

Basílio falou com exclusividade à Redação do F5 Portal:

Qual a sua avaliação sobre o congresso estadual do PT,ocorrido na semana passada?

As forças políticas do PT construíram uma falsa unidade em nome da reeleição de Jackson Macedo, e não só isso.É uma unidade que amplia a má profissionalização financeira de alguns dirigentes,e isso toca em um ponto sensível do partido,em sua fase atual. Nâo que eu seja contra a profissionalização.Tem de haver,porém obedecendo critérios quanto aos cargos estratégicos,quais sejam: ter competência e atividade de militância política com reflexo direto na opinião pública,isto é,quadros partidários que projetem o nome do partido para o lado de fora, e não apenas internamente. No momento,essa profissionalização se dá por acordos das forças políticas intrapartidárias e não pela competência e influência de boas vozes do partido no âmbito da opinião pública, nas ruas e nas redes sociais,que é o que mais o PT precisa.

Além da eleição interna houve diretrizes sobre os cenários políticos estadual e nacional?

Olha,é bom frisar que,pela primeira vez desde a minha filiação ao partido, em 1995,não participei do encontro estadual.Acompanhei pelo noticiário da imprensa e por informações repassadas por companehiros que lá estiveram.Embora o documento oficial sobre o encontro ainda não tenha sido divulgado,é do conhecimento de todos que o PT trava a política de enfrentamento das pautas de restrição de direitos do governo Bolsonaro e o principal,que é a liberdade plena do presidente Lula.

E quanto ao cenário estadual,já que estamos em ano pré-eleitoral,já deve haver posicionamento do partido?

Justamente por isso não participei do 7º congresso. Eu percebi um clima, nas semanas que antecederam o encontro, onde o presidente do partido,Jackson Macedo,já apontava incondicionalmente o apoio ao projeto do ex-governador RC, de se eleger prefeito de JP em 2020. Tal subserviência mostra claramente que o PT paraibano está se tornando um balcão de negócios…

Mas as decisões do PT não são colegiadas?

Sim.Sozinho,o presidente não delibera.Porém,quando afirmo que é um balcão de negócios,me refiro ao ‘murismo’,que é ficar em cima do muro.Só que alas majoritárias do partido praticam atualmente o murismo às avessas,que é seguir em apoio a lideranças  políticas que já adiantam uma dissenção para os próximos pleitos.E o presidente estimula essa situação…

Você fala da crise interna do PSB,que coloca em lados opostos o governador João Azevedo e o ex-governador Ricardo Coutinho?

Sim.E vou mais além.Não é só uma crise,Há um rompimento claro e público,porém não oficializado.Nesse contexto,correntes majoritárias do partido – e é bom lembrar  que o PT compõe o governo João Azevedo -,  já antecipam apoio a Ricardo Coutinho em 2020,resguardadas na tese de que não há nem haverá rompimento.Seria apenas uma crise.

E não havendo rompimento,não seria um posicionamento correto do partido?

De forma alguma. Ora,se o projeto está consolidado,é vitorioso para o estado e foi construído por várias mãos em um governo de coalizão,tendo como principais protagonistas Ricardo Coutinho e o governador João Azevedo,que dá continuidade ao projeto democrático e popular,a posição coerente seria anunciar o apoio a Ricardo em 2020,como já se faz, e no mesmo ato adiantar o apoio à reeleição de João em 2022.

Mas essa correntes não podem alegar que é cedo para anunciar posição sobre as eleições de 2022?

Do ponto de vista do prazo,pode até ser cedo,eleitoramente falando.Agora,politicamente já podiam apontar o desejo de estar com João em 2022,até para reforçarem a tese do não rompimento.

E por que não fazem?

Ora(risos…),é porque eles já antecipam apoio a Ricardo em 2020,como forma de fazer disso um trampolim para a candidatura de Ricardo a governador em 2022.

E havendo de fato o rompimento,acompanhar Ricardo não seria uma boa opção para o partido?

Aí seria necessário uma posição oficial do PT.Não dá para servir a dois reinos.Aliás,já está na hora,porque,para mim,o rompimento já é fato.E nesse cenário,não dá para compor o governo João e hipotecar apoio antecipado a Ricardo. E enquanto dirigente partidário,que ainda sou,na próxima reunião do diretório,vou cobrar essa definição.

Já que você tem o rompimento como fato e vai cobrar uma definição do partido,que caminho você defende?Seguir com Ricardo ou com João?

A Paraíba elegeu João Azevedo consagrando a união das forças progressistas do estado. O PT faz parte desse projeto vitorioso. João continua no projeto,Ricardo tá saindo…

Então você defende optar por João?

Não é uma questão de opção. É uma questão de compromisso com a Paraíba e de coerência do partido para com os seus próprios princípios. João em 9 meses de governo, sem nunca ter tido experiência com cargos eletivos,tem surpreendido no tocante à capacidade de diálogo com todas as forças que compõem o governo e os diversos setores representativos da sociedade,inclusive as forças de oposição. Sem falar na sua condução administrativa,que dispensa comentários. São essas as virtudes que o fizeram ser escolhido pelo PSB como candidato e ungido pelo povo paraibano,já no primeiro turno, como governador.Não tenho dúvidas de que João levará adiante e ampliará esse projeto, e o PT tem a obrigação de não se afastar disso.

Pra finalizar,o que esperar dos próximos capítulos desse cenário político estadual?

Olha,o que eu posso adiantar é que já estamos vivenciando intensas movimentações pré eleitorais de bastidores para 2020,e já é visível a habilidade do governador João Azevedo e seu núcleo político,que é composto por excelentes quadros. Muito provavelmente o governador chegará em 2020 conduzindo uma ampla frente progressista,credenciando-se como o maior cabo eleitoral nas eleições municipais. Isso já diz quase tudo sobre 2020.

Fonte: Portal F5

You may also like...

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *